Mas tinha que ser assim. Você tinha que dar uma de você mesmo e ir embora. Era o que todo mundo já previa, e, preciso admitir, era o que eu já previa também. Mas eu teimava em acreditar que aquele sussurro baixinho que você soprava no meu ouvido de vez em quando, no meio da noite, prometendo as duas palavras mais clichês e nunca cumpridas do universo, “pra sempre”, podiam até ser verdade. Mas não eram. E aí você foi. Foi embora, me deixou, nem olhou pra trás. Disse que, “sem querer ofender, a vida com você é ótima, mas eu tenho sonhos, quero conhecer o mundo e mudar as coisas, deixar minha marca, não dá pra ter boas histórias se eu fico sentado aqui nessa casa o dia inteiro com você”. Bem, eu não sei quanto a você, mas essas histórias que você “não teve” comigo ficaram me assombrando, sendo repassadas na minha cabeça a cada minuto, pelos últimos 3 meses desde que você se foi. Eu nem tive tempo de absorver a notícia pra poder brigar com você ou dizer que te amo e tentar te convencer a ficar ou de te pedir pra me levar contigo. E enquanto eu tentava arranjar um jeito de colocar pra fora aquele monte de emoções que eu tinha, todas ao mesmo tempo dentro de mim. Você levou tudo. Levou tua bagunça, tirou tudo daqui. Todas aquelas tuas coisas, as suas lembranças que ficavam espalhadas pela casa. Você levou tudo. Mas não me levou.

 

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